quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

As 12 melhores coisas que o RAP (quase) viu em 2016

Saudações, leitores e apreciadores da cultura urbana. Sabemos que 2016, apesar de tantas coisas, foi um ano surpreendentemente excepcional pro RAP brasileiro. A lista de coisas que rolaram na cena é enorme, tive a impressão de que não passaria uma semana sem me deparar com um lançamento que me faria repensar (oooutra vez) minha lista dos melhores lançamentos do ano. Mas quis fazer algo um pouco diferente das várias listas que já rodam por aí, e trazer um pouco da minha visão particular do que teve de melhor durante o ano. Independente de quantas visualizações teve, ou do quanto sacudiu a cena inteira. Quero trazer o que, mesmo sem ter atraído a atenção de todo o público, conseguiu mostrar que a música independente tem um potencial absurdo de bom. Claro que foi difícil fazer uma lista que não inclua ADL MC's, Amiri, Fábio Brazza, Fióti, Funkero, Karol Conká, Um Barril de Rap, 3030 e tantos outros que me viciaram em muitas coisas no decorrer do ano. Mas tem tanta música acima do "supimpa" por aí, e que não tem chegado com tanta força no grande público, que quis compartilhar algo possivelmente novo convosco.
A lista não segue uma ordem de melhor pro pior ou algo do tipo, montei de acordo com a ordem cronológica dos lançamentos. Dito isso, vamos a ela!


1) Comes e Raps - Vida Gorda parte 1
 Formado por Mamuti Méqui Huê e TVS BeatBox, o projeto Comes e Raps cria paródias de RAP's nacionais com temas relacionados a comida. O mais bem sucedido em todos os aspectos - ao meu ver - foi o glorioso "Vida Gorda Parte 1", paródia do clássico "Vida Loka Parte 1", do grupo Racionais MC's. O clipe ainda contou com depoimentos exclusivos do MC Bin Laden, e foi visto e compartilhado por vários rapeiros grandes quando lançado.


2) Rádio Moleque - Atrasado Come Resto
 Na real, a vontade era colocar toda a mixtape "Sem Base" aqui. "Rádio Moleque" é o projeto solo do rapeiro Tartaruga, membro também do coletivo "Vim de Longe", junto a vários rapeiros do interior do estado de São Paulo. É do tipo que vale a pena escutar e baixar cada faixa, todas têm histórias e estilos bem particulares. O rapaz faz um dos trampos mais profissionais que já vi alguém fazer praticamente sozinho, e o som é um exemplo disso.


3) Xamã, Estudante e Jean Santoro - Pedras de Março
Novamente, chegamos com uma versão de um clássico. Dessa vez, da música "Águas de Março", de Tom Jobim e Elis Regina. A versão manteve a melodia original da música e trouxe temas mais comuns no RAP, reproduzidos duma maneira bem inusitada e caprichadíssima, além de uma perfeita mesclada com o boom bap que fechou o som com classe.


4) Axel Alberigi - Herança Verde Escuro
No episódio 99 do RapBox, Axel nos trouxe uma música "dupla" com todo um clima que remete coisas tribais e naturais, nos levando a um ponto de vista mais humano do que a sociedade tem se tornado. Acho que tudo se resume na frase da própria música: "É suicídio ser de concreto o chão, grama é cama". Quem o conheceu como AXL tem muito a se surpreender!


5) Loba - Pé Rapada
 A petropolitana nos presenteou com esse som numa estrutura bem incomum pro que estamos acostumados dentro do RAP nacional, denunciando várias atitudes machistas na nossa história e cultura. É uma forte afronta a coisas que rolam até mesmo dentro do ambiente do RAP, e certamente uma das canções mais viciantes da lista. Acompanhem essa moça, o que ta pra vir não é coisa pouca.


6) Rap Plus Size, Tássia Reis e Banda Davidariloco - Levante Sua Cabeça
Esse projeto é um dos que mais me empolgam em questão de proposta. Formado por Sara Donato e Issa Paz, o Rap Plus Size faz músicas denunciando machismo, gordofobia, racismo e mais várias questões sociais. Muitos as conheceram pela cypher machocídio, mas essa parceria das duas com a Tássia Reis e a Davidariloco, lançada um pouco antes da cypher, rendeu uma sonzeira memorável e uma lindeza de clipe!


7) Ramiro Mart - Fortaleza
 Claro que o único som lançado por ele durante todo o ano teria que ser mencionado aqui. O clipe por si, editado pelo próprio Ramiro, já conta uma senhora história pelas imagens, e o ritmo é do tipo que se ouve pra começar o dia com ânimo. Foi, inclusive, o som de onde tirei a frase-objetivo pra 2017: "Não existe certeza, mas na mesa eu quero sempre café e dinheiro no bolso". É tudo que temos para saber como vai vir o álbum "Audio Mensagem", ao que a faixa pertencerá.



8) SKL, Síntese e Nego Max - Fogueira
 No quesito "Não parar de ouvir todo dia desde que saiu e viver mostrando pra todo mundo", esse vence de longe. É o som que alcançou a sonoridade que vivo buscando num RAP: ritmo africano, todo batucado, a várias vozes, e, assim como "Herança Verde Escuro", muito tribal. Principalmente com o clipe, que te põe num mundo que não te deixa querer sair. Sensação indescritível.


9) Sarluu - Eles Mentem
 Depois de alguns aninhos longe de lançamentos, Sarluu chegou completamente diferente do esperado e surpreendeu com um trap bem executado demais, lançado pelo selo 1Kilo com um lyric video profissionalíssimo, e uma esplêndida capacidade de grudar na tua cabeça pelo resto do dia. Novamente, o RAP petropolitano sendo cada vez mais bem representado.


10) Projeto Preto Véio - Terra em Brasa
 Mal sei se os membros da banda intitulam seu som como RAP, mas é, de longe, um dos sons mais gostosos que já conheci. O clipe foi todo editado com imagens da internet como um manifesto pelos direitos dos índios no Brasil, e consegue emocionar a cada vez que você assiste. Também segue, na maioria das músicas, aquele estilo batucado que citei, tendo algumas mais puxadas pra samba, outras mais pra RAP, e nenhuma razoável. Outro pra vocês pesquisarem com força!


11) Ney Dicí - O Que Separa Os Homens Dos Meninos (Remix)
 Eis um homão. Diretamente da Bahia, Dicí fez esse remix da música com o mesmo título feita pelo rapeiro Sant, e parece ter sido bem recebida pelo mesmo. O amor às pessoas é algo bem abordado pelo Ney, e sempre de maneiras bem fortes e individuais, tal como, de certa forma, é nesse som. Há 2 anos, o rapeiro foi vencedor do 2º Rap Contest NiggasNerds, e agora está pra lançar o terceiro EP de uma "trilogia do aprendizado".


12) Kamau - Com Licença
 Se não for pra ser com chave de ouro a gente nem fecha! Mantendo o padrão de nunca lançar uma música ruim desde sempre, Kamau agora nos mostra um paralelo entre duas realidades nesse videoclipe, que começa com ele produzindo um beat numa MPC, e logo vai prum estúdio tocar com a banda Plano A e dar uma aula de como fazer RAP com sonoridade de banda. Acho que só nos resta agradecer.


Depois de tanto som, espero ter apresentado algo que vá entrar em suas playlists a partir de agora. Cada som aqui vale muito a pena ser ouvido mais de uma vez. A quem quiser acompanhar, clique aqui para acessar o facebook do Blog Lado C. Obrigado e até a próxima!

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